Há sempre uma boa frase de algum filósofo, matemático, físico, poeta ou músico que se encaixa em algum momento das nossas vidas…
Há pessoas que sequer precisam de rádio. Pessoas que sequer pensam em notas. Pessoas que vivem a vida sem um tom, sem um som, sem te(n)são.
Me deparo com muitas, amigos, amigas até. Como (con)viver com pessoas que sentem a vida tão diferente de mim? “Mas quanto egocentrismo menina” – disse a vida. Não quero que vejam como vejo, que sintam como sinto, que ouçam como ouço.
Sentir a vida da mesma forma, afinal, como decidimos quem serão nossos amigos? Intuitivamente, acredito que seja assim. Não precisamos gostar da mesma alface, nem de comer jiló, nem dos mesmos filmes. Precisamos ter essência, capaz de apreciar diferentes filmes, apenas por reconhecer a beleza que há nas coisas. Precisamos ser abertos pra deixar entrar o que quer que nos toque, sem questionar de onde veio, ou quem fez. Isso por si só já seria pré-conceito? Não, não acredito. Conceito. Todo conceito nos fornece elementos pra sua identificação, e música pra mim é o maior e mais importante ponto de encontro entre as pessoas com quem quero estar.
Como saber o que cada um sente ao ouvir uma música? O que acontece dentro de cada um em um show com música alta? Quantas e quantas histórias se cruzam no ar nesse momento? E quando 2 histórias se cruzam na mesma música?
É loucura tentar explicar o que move dentro de mim com algumas músicas, muitas. Parece que cada nota vai lentamente tocando cada célula, e às vezes quase dói… O que você sente com aquela música? As ondas vão entrando, entrando, e parece que do cérebro sai uma enchente de alguma coisa, provavelmente alguma “fina” da vida, endorfina acredito, que proporciona uma excitação de todos os sentidos… Com certeza a ciência já estuda essa reação há tempos, e não serei a primeira a tentar explicar isso. Mas falo do quão reconfortante é saber que outras pessoas passam por isso, e que só essas pessoas sentem a vida como eu e muitas outras pessoas.
Não que essa forma de viver e sentir seja melhor ou pior, muitas vezes a sensação que tenho é de fragilidade diante de uma melodia quase cruel, como se meu corpo fosse inteiramente pronto pra se deixar levar pra qualquer lugar. Vai, faz o que quiser, não sinto meu contorno, nada. Talvez seja isso: algumas músicas, ou melhor, milhares delas, me fazem acessar um componente completamente ininteligível, incompreensível, algo que somos, algo que temos, algo que não vemos, algo que não é corpo, algo que simplesmente te faz chorar, algo que simplesmente te faz pertencer a todos os lugares, algo que te conecta à alma, algo que transborda e te anestesia… Algo que me faz quase implorar pra parar, mas nesse ponto já fui inundada… Algo que me faz levantar os braços, faz a alma dançar… É tão visível, tão lindo ver uma alma dançando. Mas quem pode apreciar esse momento? Mais que isso: quem pode partilhar esse momento? Só quem entende o conceito… Voltamos ao conceito.
Que delícia ser preenchida por mínimas, semínimas, arpejos, breves, colcheias, fusas… (col)Cheias, (con)Fusas.
Alegria, tristeza, lágrima, sorriso, riso, saudade, vontade, roupa, calor, frio, encolhida, balanço, pulo, vício pesado.
O que ouvir na alegria? O que ouvir na tristeza pra voltar à alegria? O que ouvir na alegria pra voltar pra tristeza? O que ouvir pra tirar a roupa? O que ouvir pra escrever, pra pensar, pra falar?
Há pessoas que vêem a vida com fundo musical. É disso que estou falando. Isso alivia. Ainda que doa. Eu vivo a vida com (pro)fundo musical…
Quer dançar? O que você está ouvindo?
Escutei escrevendo:
http://www.youtube.com/watch?v=p_lkMK2Spu0
http://www.youtube.com/watch?v=YDJMSd_Tuwo
http://www.youtube.com/watch?v=z-1_ZSX3Wfk
http://www.youtube.com/watch?v=DeiYR0eST7U
Esse texto é essa imagem:
http://www.myspace.com/wearegush
(Valeu Sérgio!)
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