segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Seagulls


(pra ler ouvindo... Essa música é, sem dúvida, uma das músicas mais alma que existem... Compositor: Egberto Gismonti. Título: Palhaço)

http://www.youtube.com/watch?v=_A9_FufVnKU&feature=related

Adoro essa palavra em inglês... Seagulls... Um orgasmo fonético…

Existem coisas que simplesmente sabemos que estão ali... só sabemos, sentimos. Costumamos dizer que há uma "força maior".

Mas como se sabe que há de fato algo ali? Algo intangível? Algo que não se explica? Algo que te guia simplesmente? Algo que independe da sua vontade, da sua mente? Hoje acredito muito mais no silêncio do que na fala, porque a fala quase sempre será guiada pela mente, o silêncio não... o silêncio é a alma que não encontra palavras...

Essa "força maior" é incontrolável, ela pode chegar forte, leve, calma... como percebê-la? De repente você simplesmente sente alguma coisa maior do que você...

Escuta-se.

Vê-se.

Sente-se.

E podemos sentir, nos traz ar, nos guia por caminhos inesperados, não planejados, surpreendentes. Que caminhos são esses que não foram escolhidos voluntariamente pela minha mente? Há de haver algo maior.

Nos faz crer na natureza, nos mostra nossa insignificância diante da vida, diante da necessidade de controlar tudo, te mostra o quão desnecessário é tentar controlar ou traçar um plano.

Imprevisibilidade.

Tenho seguido caminhos cada vez mais no hoje, nunca o passado foi tão desimportante, nunca o futuro foi tão nulo. O que é o passado? Onde está o futuro?

Heráclito disse que não podemos entrar duas vezes no mesmo rio… li num livro agora que não se pode entrar nem uma vez no rio, porque o rio passa rápido demais… Achei essa frase mais apropriada.

Como ocupar o espaço tão rápido e curto do hoje com pensamentos, sentimentos, emoções do passado e do futuro? É uma grande injustiça com o presente, caramba! Ele mal chegou e já tem que concorrer com fantasias e imagens que já se desintegraram! É injusto…

Aí vão me falar: “Bia, mas as experiências do passado são grandes aprendizados… você se fortalece com a dor, com o sofrimento, e pensar no futuro é importante para traçar seus planos no presente”

Ok, agora me acompanha: vivi sim muitas experiências no passado que me ajudaram a construir o que sou hoje, ok. Mas, quando você se depara com alguma situação atual, no presente, você já está anos luz da pessoa que você foi quando viveu a situação no passado… Se você fosse no passado a pessoa que você é hoje, certamente não teria vivido a situação da mesma forma, o que certamente não teria te transformado na pessoa que é hoje. Entende? É correr atrás do rabo… Por isso, o que você viveu e como você lidou com as situações do passado viraram sensações, só.

Os aprendizados não viraram souveniers na sua prateleira… Já pensou? Uma prateleira cheia: o primeiro – nasci. Aprendizado: é preciso fazer força pra nascer. O segundo – queda do primeiro dente. Aprendizado: não chorar tanto. O terceiro – reprovação na escola. Aprendizado: estudar mais. Parece ridículo, mas se fôssemos analisar os aprendizados no momento dos fatos, certamente com 5 anos de idade você nunca iria achar que tirar o primeiro dente poderia representar enfrentar o medo. Ou que uma reprovação na escola poderia ser uma excelente oportunidade de fazer novos amigos ou assimilar mais algumas coisas.

Você acha mesmo que olhar pra trás e ver que você já passou por situações piores do que as que vive hoje serve de conforto? Isso significa que você não está se permitindo vivenciar tudo o que é preciso hoje… seja sofrer muito, seja se alegrar muito. Ser espontâneo é isso: estar 100% no presente. Livre de todo pre-conceito, livre de aprendizados… Lembrei nesse segundo do filme sobre os Doutores da Alegria, que me marcou muito. Entre muitas mensagens lindas e emocionantes, o filme fala sobre como é ser um palhaço, e que o palhaço é um estado onde sua mente tem que estar completamente vazia… Pronta pra receber qualquer tipo de emoção e sensação, e ser capaz de agir com a emoção que cada momento exige. Não se pode ser palhaço se você entrar em cena cheio de aprendizados, cartilhas, “como re-agir caso a criança fale assim”, ou “como re-agir caso a mãe da criança fale isso”. Isso é condicionamento, não espontaneidade. Isso é amarrar o ser humano num espaço onde somente aquele tipo de atitude é permitida, nenhuma mais. E o palhaço ainda é o único que tem livre acesso quando coloca sua máscara! Ali ele pode sentir o que quiser, rir, chorar, sorrir, pular, o que ele quiser! O grande desafio pra mim? Ser palhaço sem máscara...

Viver no presente é muito difícil…

Mas seguindo esse raciocício, onde entram nossos planos pro futuro? Onde entram as famosas metas de vida, que todos nos ensinaram ser tão importantes? Em todos os lugares ouvimos que temos que ter metas, metas no trabalho, metas na vida pessoal, metas pra emagrecer, metas pra isso, metas pra aquilo! Passamos todo o tempo nos colocando no futuro…

E se eu passar a viver somente o meu presente??? Não preciso mais me planejar pra nada? Nossa, que alívio pensar nisso… ufa… posso viver meu presente agora sem ocupar meu precioso tempo com o futuro…

Opa… péra aí… Isso não se chama comodismo? Ai meu Deus… Levando para situações práticas do dia a dia, é necessário um esforço maior pra conseguir entender. Na prática, se me planejo pra alguma coisa, é porque desejo HOJE aquela coisa, e se não posso realizar o desejo no HOJE, me planejo para trazer o desejo o mais rápido possível para o presente. Portanto, o contrário também é verdadeiro: se não me planejo para algo, é porque esse algo ainda não se tornou um desejo meu real. Ok, essa explicação fez sentido pra mim. Fui convencida. (incrível como sempre queremos ter explicações pra tudo não?)

Essa foi uma importante conclusão na minha vida… Vou parar de pensar tanto em metas, olhar pra dentro, e ver o que realmente me importa HOJE. Só. Se conseguir enxergar, acho que já vou ter dado um grande passo…

E aí, quais são suas metas de HOJE?

Ah, apenas para não ficar muito desconexo, o título do texto fala de gaivotas… simplesmente porque todo esse questionamento surgiu quando estava olhando pra elas em Arraial. Essa foi a origem do pensamento, que só veio a ser concluído hoje, depois de um loooooooongo papo no Outback...rs

Pra quem nunca viu o filme, é fantástico:

http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=19583

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Penso, logo não sinto


(foto: Praia Grande, Arraial do Cabo)

http://www.youtube.com/watch?v=hwNlQRvV-b4
http://www.youtube.com/watch?v=rrk0Bi7RwJU
http://www.youtube.com/watch?v=ujQoUEdXr_8
(pra ouvir lendo...)


Longe de mim querer corrigir Descartes, quem sou eu... De fato se pensamos, sabemos que existimos. Mas, pra mim, existir está desvinculado do pensar.
Nossa civilização ocidental está moldada para a razão, para a lógica, para as provas, para a ciência, para o cartesiano. É uma busca desenfreada para trabalhar a mente o tempo todo. As escolas, as universidades, todo o sistema é voltado para a mente... Se olhamos para uma pessoa que fala bem, logo a admiramos e falamos: "nossa, essa pessoa é muito articulada." E já concluímos que ela deve ser bem sucedida. Resumindo, é isso que acontece.
Os avanços tecnológicos se dão por causa das mentes.
Meu post não será grande, e queria deixar registrado apenas a importância de se enxergar o conceito ao contrário. De olhar para o negativo da imagem.
"O que o coração pode nos dar? Com certeza, nada high-tech, industrial ou capaz de gerar dinheiro. Mas pode nos proporcionar alegria, celebração e também uma enorme sensibilidade para a beleza, a música e a poesia. As pessoas primitivas têm algo em comum com as crianças pequenas. São alegres, espontâneas e naturais, mas totalmente insconscientes daquilo que são. Para que possam amadurecer, primeiro elas têm que perder toda a sua espontaneidade, tornar-se civilizadas, educadas e desenvolver uma cultura, uma civilização, uma religião. Precisam esquecer completamente sua essência para que um dia sintam falta dela."

"A vida real está nos sentimentos. Pensar é algo falso porque pensamos sempre a respeito de alguma coisa, nunca a coisa em si. Você pode refletir sobre o vinho o quanto quiser, isso nunca o deixará bêbado. Você terá que bebê-lo, e o ato de beber envolve sensibilidade e emoção" (OSHO, Uma farmácia para a alma)

Como seria um mundo onde as pessoas só sentissem? Respeitassem os sentimentos? Escutassem seus sentimentos?
O pensamento é necessário sim, eu acredito. Necessário para girar as engrenagens das rotinas. Mas ele não deveria ser nunca o guia, a linha mestra das relações, das decisões.
Não consigo me lembrar de nenhuma decisão errada que eu tenha tomado baseada nos meus sentimentos. Nenhuma, zero. Desde que esse sentimento seja de paz, paz interna. Se sim, é um bom caminho.
Às vezes nos deparamos com situações na vida onde ouvimos: "calma, tenha paciência, pense muito sobre isso antes de tomar alguma decisão..." NÃO!!!!!!!!!! Não pense muito!!!!!! Apenas sinta, permita-se, escute-se, tenha paciência sim, mas pra conseguir se ouvir, sentir-se, just let it go... Até o ponto em que seu sentimento seja de fato sólido suficiente pra que você siga.
Talvez as pessoas ao seu lado não consigam entender isso, mas, elas hão de entender um dia que essa é a única forma de se chegar à verdade, à verdade de cada um. E só se é capaz de se relacionar profundamente, quando as verdades já se encontraram, quando cada um enquanto indivíduo se sente completamente e logo irá respeitar o outro.
Filosofia quer dizer "pensar sobre a verdade". Mas, antes de pensá-la, é preciso encontrá-la. Ela está aqui, o tempo todo, mas enquanto não pararmos de pensar, ela não emerge, não sobe, não aparece...
Óbvio não?rs